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COLETÂNEA DOS ARTISTAS GAÚCHOS: MARIZA CARPES

14.04.2022

Confira a entrevista que fizemos com a artista participante da Coletânea sobre sua obra e a participação no projeto.

Por meio do Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos – a biblioteca do metrô –, a Trensurb está promovendo a Coletânea dos Artistas Gaúchos, novo projeto cultural que busca destacar a produção dos artistas visuais do estado, dando visibilidade ao seu trabalho para um público que não tem o hábito de frequentar os espaços tradicionais de exposição de arte. Os perfis nas redes sociais da Trensurb e do Espaço Multicultural divulgam, mensalmente, três obras de cada um dos 15 artistas participantes do projeto. As obras também são veiculadas nos monitores do Canal Você (presentes em trens e estações), que apoia o projeto. A curadoria da Coletânea é do poeta e assessor da Trensurb, Élvio Vargas, da artista multimídia Liana Timm e da professora Dione Detanico.

Em abril, a Coletânea destaca três obras da artista Mariza Carpes, da série Digo de onde venho, produzidas em 2019 com grafite, hidrográfica, carbono, assemblagem sobre papel vegetal e coleção de amostras de renda. Graduada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), possui Mestrado em Artes pela Ball State University, na cidade de Muncie, Indiana, nos Estados Unidos. Atuou como professora na UFSM e no Instituto de Artes da UFRGS, dedicando-se integralmente ao Desenho e ajudando a formar, pelo menos, uma geração de artistas. A memória, os afetos e a própria história da artista são terreno constante de sua obra, assinalada pelo investimento no desenho, em trânsito com a pintura, assim como pela apropriação de fotografias, desenhos, impressos, objetos e fragmentos antigos, plenos de histórias e tempos. Possui em seu currículo inúmeras exposições coletivas e individuais, bem como diversos prêmios nacionais e internacionais. Sua obra está representada em várias instituições, museus, coleções públicas e privadas.

Confira a seguir a entrevista que realizamos com ela a respeito da participação no projeto e sua obra.

Como vês o projeto Coletânea dos Artistas Gaúchos, organizado pela Trensurb?

Mariza Carpes – Vejo como um momento muito interessante e inteligente para que a comunidade conheça um pouco da arte feita no Rio Grande do Sul e assim seja tocada pela sensibilidade de cada artista.

Desde quando tu produzes arte? Como foi tua trajetória?

Mariza Carpes – Produzo arte desde adolescente ou mesmo antes. Iniciei na área de música quando, por cinco anos, estudei piano, mas, um pouco mais tarde, entendi que as artes visuais eram o que mais me representava. E mergulhei nisso 53 anos atrás.

Qual é a tua grande inspiração artística?

Mariza Carpes – O meu redor, o que eu vivo, as boas e más horas, as minhas experiências, o acúmulo delas.

Como é teu processo criativo?

Mariza Carpes – Meu processo criativo às vezes vem inconscientemente, enquanto minha vida acontece. Tenho também as minhas referências, artistas que me tocam de maneira contundente, que dizem o que eu entendo como verdade.

O que gostas de abordar em tuas artes?

Mariza Carpes – Abordo literalmente meu jardim, minhas memórias preciosas, o que vivi e o que me fez ser do jeito que sou. Minha última grande exposição individual, que aconteceu há pouco no Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS – chamou-se Digo de onde venho.

O que motivou a escolha das artes para a Coletânea? O que elas significam para ti?

Mariza Carpes – Estas três obras foram inspiradas diretamente na profissão da minha mãe, que foi excelente modista na cidade de Santa Maria. Cresci vendo-a costurar roupas lindas e o arsenal de linhas, agulhas, tecidos, moldes e acessórios me fascinaram durante toda a minha infância e adolescência. Foi um tributo que fiz à sua memória.

Se, conforme Iberê Camargo, “a memória é a gaveta dos guardados”, na tua obra, a menina que transita no mundo das tuas lembranças é o marco onírico da tua fundação pictórica?

Mariza Carpes – Interessante falar sobre Iberê Camargo que foi um artista com quem convivi por décadas e posso acrescentar que foi um querido amigo. Quanto à menina dos meus desenhos, pinturas, assemblagens e até vídeo, neste momento, surgiu forte e é, portanto, um marco deste momento, mas estas referências são transitórias, assim como foi o carretel para Iberê.

Plissados, bordados e acabamentos no ofício de costureira foram absorvidos na tua narrativa de pintora?

Mariza Carpes – Sim, sem dúvida. Gosto de feitura, do fazer manual, do tocar, bordar, alinhavar, desenhar, pintar sobre superfícies que quase sempre remetem a alguma memória, muitas vezes minhas, muitas vezes de uma época ou de uma outra cultura.

A máquina de costura Singer - instrumento do trabalho materno - é o embrião que movimenta todo o momento lúdico das tuas pinturas, tal qual o carretel de Iberê Camargo?

Mariza Carpes – Não diria assim, a máquina de costura acompanhou-me por anos e aquele ruído constante acomodou-se lindamente na minha memória. Mas não diria que ela se compara aos carretéis de Iberê até porque no meu trabalho ela foi bastante pontual.

O vestido produzido pela tua mãe, memorizado desde a infância e juventude, veste a menina que habita o universo cartesiano?

Mariza Carpes – O pensamento artístico não se encontra no pensamento cartesiano, pois entendo que ele é livre, inovador, desafiante. Mas pertenço a uma geração em que a moral era dura e limitante. Necessitamos de trabalho árduo para nós enxergamos melhor. Sem estas escolhas do agir e pensar continuaríamos a repetir o processo moral familiar. A arte sempre está a libertar.

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